Cinco anos depois.
O sol cobria boa parte da pequena cidade de Canon River, localizado no estado de Washington, extremo norte dos Estados Unidos. Fazia um bom tempo que o sol não aparecia, uma vez que já era outono novamente e as frentes frias vindas do Canadá estavam cada vez mais fortes.
Dentro de uma confortável e relativamente grande sala de aula do ensino fundamental de uma escola publica americana, estava Lisbon, trajando seu uniforme de xerife local.
Oh sim, ela agora era xerife. Havia sido “rebaixada” de cargo. Na verdade, não havia encontrado um emprego melhor na área policial, uma vez que ninguém queria uma funcionaria da agencia onde o chefe era ajudante do Red John.
Bom, mas isso não importava mais. Ela tinha o seu emprego – que não era o melhor, mas pelo menos as paredes de sua sala eram feitas de tijolos. Além disso, o governo pagava suficientemente bem para ela manter uma casa confortável onde podia desfrutar com suas duas filhas, Emma e Elizabeth – também conhecidas como Emms e Lizzy.
Essas eram as razões de Lisbon ter acordado cedo naquela manhã ensolarada. Era o dia da carreira na escola de suas pequenas e mesmo internamente não querendo de jeito nenhum participar – odiava se expor – precisava cumprir o seu papel de mãe-pai.
Se Jane soubesse que aquilo que aconteceu cinco anos antes resultasse em duas lindas menininhas, ele teria sido menos infantil e não fugiria para sempre, deixando-a com apenas algumas cartas e conchas fúteis.
–Muito obrigada Ben! – Disse a professora com um sorriso no rosto tão falso quanto sua vontade de lecionar naquele lugar, apertando a mão do bombeiro que acabará de narrar uma aventura que tivera em uma casa pegando fogo. – A próxima pode vir... – Ela olhou para Teresa – Senhora Lisbon, venha!
Lisbon caminhou até a lousa e tentou parecer simpática. Os olhares das crianças estavam sobre ela, inclusive os de suas filhas, que pareciam orgulhosas por ter uma mãe policial.
Teresa começou a explicar as tarefas diárias que necessitava executar como policial. Tirando suas duas garotinhas, nenhuma criança parecia estar realmente interessada nela, todas estavam ou com os olhares longes ou muito agitadas.
–E é isso que a policia faz – Ela completou, após alguns minutos – Ajudamos as pessoas que tem problemas e impedimos que elas criem mais problemas. É um trabalho bem difícil, mas acho que é o melhor emprego que existe. E vocês? – Perguntou, tentando animar um pouco aquela apresentação. – Alguém quer ser policial quando crescer?
Nenhuma mão se levantava, até quando viu a mãozinha de sua Lizzy no ar, balançando.
–Eu quero.
Ela não sabia se sua filha estava apenas tentando ser gentil ou realmente gostaria de ser policial. Provavelmente a primeira opção.
–Ótimo.
Lisbon sorriu, admirando a pequena. Ela se impressionava em como ambas tinham os traços tão acentuados do Jane como a cor do cabelo – um loiro, porém não muito claro. Era um pouco mais escuro, com a raiz preta e os fios levemente clareando até chegar nas pontas quase encaracoladas – também tinham o sorriso do Jane e pele ligeiramente morena. Porém, apenas isso. O resto das meninas era somente com características da mãe Lisbon. Os cabelos lisos – tirando as pontas - Os lábios eram iguais aos da mãe, os olhos redondos, as bochechas com sardas e para completar, a cor dos olhos. Na verdade, era isso que diferenciava uma gêmea da outra. Elizabeth tinha os olhos verdes claros da mãe, já Emma tinha olhos verdes também, mas um pouco mais puxado para o azul. Às vezes nem mesmo Lisbon sabia a cor verdadeira.
–Alguma pergunta? – Um garotinho loiro levantou a mão. Lisbon assentiu levemente com a cabeça para que o garoto a questionasse.
–Alguma vez você atirou em alguém?
–Bem, na verdade sim. – Respondeu com naturalidade.
–Eles morreram?
–A questão é, há pessoas más no mundo. Nem todas, mas algumas. E às vezes você tem que fazer coisas que não quer fazer, para garantir que o pior não aconteça.
–Havia muito sangue? – O menino prosseguiu extremamente empolgado.
–Eu receio que o nosso tempo tenha acabado. – Foi a vez da professora, tentando evitar que Lisbon se sentisse constrangida. – O que temos que dizer agora?
–Muito obrigada chefe Lisbon! – Todos responderam em uníssono.
Mesmo querendo muito continuar na escola e assistir as outras apresentações junto das meninas, Lisbon precisava voltar para o trabalho. Ela era responsável por toda a burocracia e seus subordinados não eram tão inteligentes como o Jane. Deixa-los sozinhos seria lastimável.
Lisbon se despediu de suas filhas e partiu tentando não olhar para trás e ver suas carinhas desapontadas. Era muito duro para ela ser mãe solteira. Oh, se Jane soubesse ao menos da metade – ela pensava enquanto adentrava a pequena delegacia de policia local – Ele nunca teria ido embora.
–Senhorita Lisbon? – A voz veio seguida de duas batidas na porta.
–Oi Henry, e aí?
–Há um homem aqui e ele quer falar com você. Agente Abbott do FBI.
–Abbott?
–Foi o que ele disse.
–Mande-o entrar.
Pacientemente, Teresa esperava pelo agente. O que o trazia ao seu encontro? Alguma noticia do Jane? Boa? Ruim? Será que ele estava vivo? Ou não? Será que queria vê-la?
O telefone tocou.
–Sim?
–Quer que eu o mande agora?
–Sim. – Respondeu firmemente. Como ela sentia falta de agentes como a Grace ou até mesmo o Rigsby, que mesmo bobão, era inteligente.
Após alguns segundos a figura de Abbott surgiu em sua sala.
–Oi Lisbon. – Ele passou os olhos por toda a sala – Bem... Parece que você tem um lugar legal. Você está aqui, o quê? Há dezoito meses?
Ela nada disse, apenas o assistiu sentar logo a sua frente.
–Tem noticias do Jane?
–Não.
–Nada? Nenhum e-mail, telefonema...?
–Não.
–E o Rigsby ou a Van Pelt? Eles ouviram alguma coisa?
–Eu vou jantar com eles logo mais. Junte-se a nós! Poderia perguntar a eles.
–E o Cho? – Desviou-se da provocação.
–Não tenho noticias dele faz muito tempo. - Ela o encarava como um cão feroz. Estava irritada em tocar no assunto Jane, mesmo sendo algo que ela não conseguiria ficar um dia sem pensar sobre – Não sei onde ele está e francamente não me importo.
–Não? – Ele arfou – Vocês dois eram tão ligados... Tiveram até duas filhas juntos.
Teresa suspirou.
–Isso foi há muito tempo atrás. E quem te garante que as filhas são dele?
–Sou da FBI, eu sei de tudo. – Gabou-se. Lisbon queria do fundo de seu coração mata-lo.
–É, mas não sabe onde o Jane está.
Abbott sorriu. Um sorriso com muitos significados escondidos.
–Deveriam desistir – Ela completou.
–Não, nós da FBI não desistimos assim tão fácil. Além disso, acho que tanto Emma quanto Elizabeth, necessitam de um pai. Não acha?
–Não. Fique fora disso, Abbott. Eu sei o que é bom para a vida das minhas filhas e certamente a presença de Jane não é.
–Acho que está cometendo um erro. Elas precisam dele. E ele delas.
–Você não sabe o que está falando. – Teresa começou a zangar-se – Diga logo, o que você quer aqui?
–Quero te fazer um convite em nome da FBI.
–Um convite?
–Sim. Quero que vá comigo até Austin. Temos uma oferta de emprego para você.
Aquilo realmente era uma surpresa. Lisbon por dentro estava impressionada. Claro, por fora ela fingia que não era uma “grande coisa”.
–Hum, eu posso ir. Apenas com uma condição.
–Qual condição?
–Me deixe levar as minhas filhas comigo.
Abbott sorriu de ponta a ponta.
–Então negócio fechado. Já pode começar a arrumar suas malas.
Lisbon passou o dia todo nervosa, a conversa que teve com o Abbott martelou em sua cabeça até depois do expediente, ele estava certo suas meninas precisavam de um pai, ela já sabia quem poderia ser. Teresa estava namorando Ray fazia aproximadamente dois meses, ele apareceu um dia no escritório oferecendo um emprego, no qual ela não aceito, voltar a Sacramento era última coisa que ela queria! Ray ficou uma semana em Canon River tentando convencê-la, em seu último dia de estadia na cidade após um jantar eles se beijaram e desde então ele volta a cidade aos finais de semana.
Teresa esvaziou a mente tentando se concentrar na estrada a frente precisa buscar suas filhas e explicar a elas aonde iam, além de telefonar a Van Pelt desmarcando o jantar. Eram seis e meia da tarde quando Teresa saiu do carro em direção a escola, Lizzy e Emma vieram correndo para mãe que se ajoelhou e abraçou as filhas.
–Que saudades de vocês, minhas pequenas! – Lisbon beijou cada uma.
– Saudades, mamãe!!- falaram ao mesmo tempo.
– Vamos.- disse ao pegar as mãos das filhas e entrarem no carro.
Após uma viagem de menos de dez minutos a pequena família chegou a casa, as meninas entram nesta correndo deixando Lisbon com duas mochilas, duas merendeiras e bolsa para trás.
Teresa sacudiu a cabeça, as filhas eram igualzinhas ao pai.
....
–Então, é por isso que não podemos jantar hoje.
Teresa estava no telefone com Van Pelt ao mesmo tempo em que preparava um molho para o jantar, iriam comer cedo, já que deveriam estar em um voo para Austin de manhã cedo.
–Ok, marcamos outro dia. Tchau!
Após desligar o celular Lisbon se concentrou no que estava fazendo sempre com um olho nas filhas que estavam assistindo algum desenho na TV da sala.
– Mamãe? – Lizzy ficou na soleira da porta – Porque vamos jantar cedo?
–Bem, chame a sua irmã para jantar que eu conto. – Sorriu para filha que saiu correndo para chamar Emma.
...
– Então, nós vamos viajar? – Emma perguntou animada.
As meninas nunca saíram de Canon River, a família Rigsby sempre as visitavam assim como os irmãos Lisbon. Em sua maioria Lisbon e as meninas viviam em uma redoma de vidro. Nem o Ray ela deixa se aproximar muito. Teresa construiu um muro mais alto em torno de seu coração onde só tinha espaço para as duas meninas loiras que estavam sentadas a sua frente lambuzadas de molho de tomate.
–Sim! - sorriu- Vamos visitar o Tio Cho! Lembram dele?
–Sim!! - em unisom.
– Bem, agora comam tudo e vamos dormir que amanhã será um logo dia!
....
–E eles viveram felizes para sempre. – Lisbon terminou a história infantil após a rotina de sempre.
As duas pequenas estavam deitadas na cama de Lizzy para que a mãe contasse a história para as duas.
–Emms, para sua cama.
Emma fez beicinho.
– Deixa eu dormir com a Lizzy hoje?
Lisbon fez cara de pensativa olhando para as filhas que faziam as melhores caras de “Por favor, mamãe”.
–Tudo bem, por hoje, você pode dormir aqui.
As meninas sorriram e por um segundo Lisbon se perdeu nessa imagem.
– Eu amo vocês!
–Amamos você também, mamãe!
Elas se abraçaram e Teresa deu um beijo de boa noite em cada uma.
–Como você acha que ele era? – Emma perguntou a irmã depois que Lisbon saiu.
–Eu não sei, mamãe nunca fala dele. – Lizzy suspirou e virou para irmã. – Acho que ela fica triste.
–Eu sei. –Emma bocejou – Acho que o papai era como o príncipe da história que a mamãe contou.
Lizzy concordou com a cabeça.
– Mamãe disse que Tio Ray pode ser nosso papai.
–Ele me dá medo. –Emma fechou os olhos.
–A mim também. – Lizzy também se entregou ao sono.
No outro quarto depois de um banho e ter feito as malas tanto dela e das meninas. Lisbon estava sentada na beira da cama com a pulseira em uma das mãos e uma carta na outra. Esta carta que já tinha relido tantas vezes que até perdeu as contas. Se sentia idiota por ficar assim por Jane, tão estúpida... Mas, quando lia as cartas que ele enviou, Lisbon o sentia perto, podia sentir o seu hálito quente dizendo “Eu te amo” em seu ouvido, suas mãos e seus lábios percorrendo todo seu corpo.
–Droga. Teresa! Pare com isso. –jogou a carta longe e ficou olhando para a pulseira, ela tinha adicionado mais dois pingentes, duas garotinhas, as suas garotinhas. – Você iria amá-las, Jane.
Lisbon limpou as lágrimas teimosas que fluíam livremente pelo seu rosto, guardou a carta e a pulseira em uma caixa de madeira, escondeu no guarda roupa e foi para cama.
O sol nasceu e junto com os cantos dos pássaros um irritante despertador era ouvido. Teresa suspirou ressentida, Abbott deveria ter entregado as passagens para mais tarde, ele não sabe como é duro acordar duas crianças tão cedo?
Saiu da cama, tomou um banho rápido para tirar a preguiça, colocou um jeans skinny com um bota de cano curto cinza, uma blusa branca simples com um blazer preto por cima. Depois de arrumar o cabelo e uma maquiagem leve, Teresa foi acordar as filhas.
–Ei, dorminhocas. – beijou cada filha. – Hora de acordar.
Elas resmungaram em sono e viraram para o lado contrário da voz da mãe.
–Vamos, temos um avião para pegar. –Lisbon sacudiu de leve as duas.
–Avião? – Lizzy foi a primeira a acordar com os olhos sonolentos e com uma pitada de curiosidade.
–Sim, vai ser muito legal, vamos? Emms- ela fez cosquinha na filha que riu.
– Eu acordei, mamãe!
–Certo, vamos, tomar banho! As duas porque temos pouco tempo.
As meninas estavam naquela fase de escolher a roupa e se vestir sozinhas, Lisbon ajudava no cabelo e na roupa quando a escolha não era apropriada para o tempo ou aonde iriam, também quando se vestir sozinha era uma tarefa difícil para elas. Emma colocou um vestido rosa bebê cheio de corações pequenos contornados com rosa mais escuro que o vestido, ele tinha algumas pregas e um laço na cintura. Lisbon disse que ela deveria colocar um casaquinho bege por cima. Emms colocou meias brancas delicadas com um sapatinho preto, pediu para que a mãe fizesse duas trancinhas, uma em cada lado da cabeça. Já Lizzy colocou um vestido preto com bolinhas brancas, com uma faixa na cintura que Lisbon amarrou um laço, assim como a irmã ela colocou um casaco por cima do vestido, uma sapatilha preta com uma fivela em tope vermelha e Teresa fez maria chiquinhas na filha.
– Eu vou levar o meu cookie! – Lizzy foi até o ursinho que carinhosamente o chamava de cookie.
– E eu meu Cacau.
Cacau era a mochila em forma de macaco, Emma tinha adoração por ela. As meninas ganharam tanto o Cookie e Cacau quando tinham 2 anos de idade e desde então nunca mais o soltaram.
Depois do café, Lisbon colocou as filhas em suas cadeirinhas, as malas no porta mala e foi direto para o aeroporto. Elas chegaram a Austin depois de mais de 5 horas de viagem, as meninas estavam morrendo de fome, elas clamaram isso desde que saíram do avião, então Teresa pegou um táxi e foram direto para hotel.
– Hey! O que eu falei sobre correr por ai? – ela chamou a atenção das meninas que começaram a correr pelo salão do hotel porque queriam ver tudo que podiam. –Venham aqui!
As meninas foram até a mãe e ficaram ao lado dela até o check in ficar pronto, elas subiram e Lisbon pediu o serviço de quarto depois de um cochilo elas estavam de novo na estrada.
– Vamos aonde agora, mamãe? – Lizzy encostou a cabeça no braço da mãe dentro do táxi.
– Ver o tio Cho.- Ela sorriu para filha.
....
– WOW- Emma olhou para o prédio do FBI – É muito alto.
Teresa riu das expressões de espanto e curiosidade no rosto das filhas que estavam de mãos dadas com ela uma de cada lado.
–Sim, é muito alto. – andou em direção ao prédio.
Ao entrarem até mesmo Lisbon ficou impressionada, Jane estava certo quando dizia que o FBI adorava mostrar seu poder através de bens materiais. Teresa avistou Cho que deu um meio sorriso a ela e abanou. As meninas soltaram as mãos da mãe e foram correndo para o tio.
– TIO CHOW CHOW, TIO CHOW CHOW- as duas gritaram e se jogaram nos braços dele.
Lisbon chegou logo em seguida e abraçou Cho depois das meninas.
– “Tio Chow Chow”? O que foi isso?
– Sim, mamãe!! Tio Chow Chow, você sabe... Aqueles cachorros chineses. – Emma disse alegremente;
– Uhum, é muito parecido com o tio Cho. – Lizzy complementou o argumento da irmã com uma voz doce.
Lisbon olhou para o Cho para ver se ele se importava com o novo apelido, mas ele estava sorrindo, um sorriso largo o que era raro pra ele.
– Venham, Abbott estará com vocês em alguns instantes.
Acompanharam o asiático até uma sala.
– Obrigada, Kimball.
Ele sacudiu a cabeça e sorriu mais uma vez para as meninas que o abanaram alegremente dizendo “Tchau, tio chow chow”. Lisbon se sentou em uma cadeira e as meninas se sentaram juntas em outra.
– Mamãe... – Lizzy pediu depois de alguns minutos.
Teresa já esperava uma das duas reclamarem do tédio, elas odiavam ficar muito tempo paradas no mesmo lugar por um longo tempo, ela deu Graças aos Céus que no avião existia uma forma de assistir um filme. Elas se distraíram até pegar no sono.
– Sim, querida?
– Estou com sede. – fez beicinho.
–Aqui – pegou um suco de uva de caixinha da bolsa e entregou a filha. – Emms, você quer?
– Sim.
Teresa lhe entregou um suco de laranja.
– Opps. – Lizzy disse após alguns minutos. – Cookie virou o suco de uva em mim sem querer.
– Não foi nada querida, deve ter um banheiro aqui em algum lugar e vamos limpar isso, ok? – beijou o topo da cabeça de Lizzy olhando para os lados da sala. – Vamos.
– Eu vou ficar!- Emma disse ainda sentada com sua mochila no colo.
– Não!- Era um perigo deixar elas sozinhas, principalmente Emma que era um pequeno furacão quando queria.
– Prometo que vou ficar quietinha! Estou cansada, mamãe- fez beicinho.
–Tudo bem. – suspirou, ela estaria do outro lado e Cho está lá fora, então – Comporte-se, não fale com ninguém, qualquer coisa grite e não saia daqui. Ah, e não mexa em nada.
– Tá bom!
Lisbon saiu receosa da sala com Lizzy pela mão
...
– É nessa sala. – Cho apontou.
–Hm’, obrigado, Cho! – Jane se virou em direção a porta.
Kimball deu um pequeno sorriso ao ver Jane se afastar, ele teria incríveis surpresas assim que colocasse os pés naquela sala.
Jane entrou na sala e encontrou uma menina loira conversando com o que parecia ser um macaco de pelúcia.
–Parece que o FBI começa o treinamento de seus agentes cedo. - disse em voz alta fazendo a criança se virar assustada em direção a voz. - Olá.
Ele vi os olhos verdes, ou seriam azuis, se arregalarem de medo e ela abraçar o brinquedo mais próximo ao corpo. Jane se aproximou com cautela.
–Eu posso me sentar? - pediu sorrindo
A menina era linda, olhos enormes, sardas, cabelo loiro. Ele poderia dizer que se lembra de sua Charlotte ao olhar para a garota.
– Bem- Jane se sentou na cadeira próxima a menina- Eu me chamo Patrick e você?
A menina não respondeu nada, só ficava olhando para ele e para porta.
– Não se preocupe- Jane sorriu para tranquilizá-la - Quer ver um truque?
Jane pegou uma moeda do bolso e mostrou pra ela, com alguns gestos, sempre acompanhado com o olhar atendo da menina, ele fez a moeda desaparecer e reaparecer em suas mãos.
– Tarãa- sorriu.
A menina loira deu um pequeno sorriso e disse:
– A moeda estava na sua mão o tempo todo.
Jane soltou uma risada alta olhando para menina que sorria para ele, um sorriso familiar.
–Oh bem, tem certeza? - Patrick viu a menina sacudir a cabeça. - Qual o nome dessa menina esperta?
– Emma.- ela disse calmamente pra ele, o medo já estava indo embora e, bem, ela adora mágicas. - E esse é Cacau.
– Muito prazer Emma e Cacau. - estendeu a mão para o brinquedo e Emma entregou uma das mãos de pelúcia para Jane apertar. - O que você acha se eu fizer outro truque para Emma? Para que ela possa acreditar em mim, Cacau?
Emma puxou Cacau até que a boca do boneco ficasse perto de sua orelha.
– Ele disse que gostaria muito.
– Então vamos fazer. Está vendo - pegou a moeda - E agora?
A moeda desapareceu rapidamente e Patrick mostrou as duas mãos para que ela possa ver que a moeda não estava lá.
–Onde ela está? - perguntou de olhos arregalados para Jane.
– Porque você não vê dentro do Cacau? - incentivou
Emma o olhou desconfiada, mas abriu a mochila para encontrar a moeda lá.
– Meu Deus!! - riu e gritou - Faz de novo, por favorzinho??
Patrick sacudiu a cabeça pegando a moeda e fez a mágica todas as vezes que Emma pediu, porque ela disse que ia descobrir como ele fazia isso. Jane riu da forma que ela cruzou os braços e o olhou impaciente.
– Como você faz isso?
– Mágica, querida. - ele fez mais uma vez.
– Queria saber fazer. - fez beicinho.
A porta se abriu e uma menina igualzinha a Emma entrou, o olhando desconfiada.
– Parece que você fez um truque e tanto. - disse a Emma e fez sinal para porta - Veja, você conseguiu se duplicar sem ao menos sair daqui.
– Não, seu bobo. - riu e chegou mais perto do Jane - Essa é minha irmã Lizzy.
– Oh, certo- sacudiu a cabeça e olhou para a outra menina. - Olá.
Lizzy olhou para irmã e para o homem loiro.
– Mamãe disse que não é pra falar com estranhos.
– Esse é o Pat... - Emma fez beicinho e olhou pra ele pedindo auxilio.
– Patrick. - sorriu
–Patrick - repetiu e sorriu porque conseguiu acertar - Ele faz mágicas!
Elizabeth se aproximou dos dois.
–Sério?
– Sim. - Jane fez a mesma mágica e as duas começaram a fazer perguntas tentando descobrir como ele fazia.
– Elizabeth!! Quantas vezes eu já falei para não sair correndo?
A voz familiar fez os três olharem para porta. Uma Teresa Lisbon espantada pela cena a sua frente era vista.
. -Jane? - sussurrou.
– Lisbon? - sorriu se levantando e foi em direção a ela.
A abraçou como se sua vida dependesse disso, e dependia, sentia tanta falta dela, do cheiro... Enterrou o nariz nos cabelos da morena e a puxou mais para si. Teresa retribuía o abraço com igual ou maior intensidade, era tão bom estar nos braços dele novamente, o sentir quente contra si, a barba roçando sua pele. Ela abriu os olhos quando caiu em si, prometeu a si mesma a nunca mais pensar sobre o Jane, nunca mais sentir nada por ele. Porque Jane é sinonimo de sofrimento. O empurrou com força saindo dos braços dele.
– Mamãe? - Lizzy e Emma pediram ao sentir o clima tenso.
Jane olhou confuso para as meninas, depois para Teresa e foi ai que entendeu, aquelas eram suas filhas. Ele teve duas filhas lindas com Lisbon, ele não poderia acreditar! Ele era pai novamente. Jane foi para se aproximar das meninas quando Teresa se pôs entre eles.
– Não encoste nas minhas filhas. - ergueu o queixo- Você não tem o direito.
Os dois ficaram se encarando, enquanto as meninas abraçavam as pernas da mãe uma de cada lado olhando assustadas para os adultos.
Continua
Menina eu amei essa fic, estou louca para o próximo capitulo.Parabéns, esta de mais.
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