6 de jul. de 2014

[Cap5] Já não quero fingir

A última coisa que Teresa ouviu foi “Estamos a perdendo” e tudo desapareceu, as vozes, o barulho dos aparelhos. Quando teve coragem de abrir os olhos se viu em um lindo vestido branco, ela estava sentada num balanço decorado por violetas.

-Olá, Reese- uma voz ao seu lado lhe chamou atenção.



Ao virar o rosto viu sua mãe sorridente vestida com o mesmo vestido floral de sua lembrança.

- Mamãe?

- Como você está, querida? – Tessy passou as mãos no cabelo da filha. – E os seus irmãos?

- Eu.. eu-  começou a soluçar – Sinto tanto a sua falta.

- Eu sei. – ela o abraçou sorrindo. – Eu também sinto falta de vocês. Mas você não me respondeu.

Afastou-se da filha e enxugou cada lágrima de seu rosto.

- Está tudo bem. – ela fungou antes de continuar- Oh, mamãe! Eu te amo muito!

- Eu também amo você. Tem uma pessoa que quer te ver. – Ela olhou para frente um lindo campo onde um homem vinha em direção as duas.

- Olá, pequena. – ele não conseguia olhar para ela.

- Pai?

Respirando fundo olhou para figura de seu pai a sua frente, ele não se parecia em nada com aquele homem que a deixou anos atrás, e isso é um alivio, mas não era nada comparado ao homem que era quando todos ainda viviam como uma família.

- Reese, seu pai tem que te pedir algo. – Mãe de Lisbon sorriu para ela e se levantou dando lugar ao homem.

- Eu não sei nem por onde começar. – fechando os olhos Thomas suspirou isso ia ser difícil, voltou a olhar para filha que momento algum afastou o olhar de seu pai - Não sei como pedir desculpas por todo mal que fiz a você e aos seus irmãos.

- Pai...

- Shi, você sempre foi tão forte, desde pequena, a protetora da família, mas eu deveria ter sido. Por Deus, eu era o pai ali! Sei que você não é obrigada a me perdoar, se eu pudesse fazer tudo diferente, não tenha dúvidas, eu faria! – ele pegou a mão da filha na dele e a olhou carinhosamente – Xereta, você pode perdoar esse seu velho pai idiota?

Lisbon sorriu para o apelido de infância, ele sempre a chamava assim, dizendo que ela era muito curiosa e quando queria saber de algo que estava a incomodando ia até o fim!

- Oh, papai, aqueles tempos sem a mãe foram muito difíceis para todos nós, mas não teve momento algum que eu não tenha te perdoado e rezado para que Deus te perdoasse por você ter feito o que fez.- Ela confortou o pai com uma caricia em sua mão e o olhou nos olhos – Eu te perdôo! Por tudo.

-Oh, obrigada, minha filha-  a puxou para seus braços e abraçou, Tess que estava ao lado dos dois se juntou a eles em um abraço de família.

-Vamos, Reese, você precisa voltar, esse não é o seu lugar! – A mãe de Lisbon sorriu e limpou as lágrimas da filha- Tem alguém que precisa de você

- Jane? – ela fungou.

- Quem é Jane? Sua amiga? – o pai de Lisbon a olhou confuso.

- Não, querido! Jane é o homem que Teresa ama. – a mulher mais velha sorriu carinhosamente enquanto Lisbon ficava com as bochechas rosadas. – Não venha me dizer que é mentira, porque eu sei o que se passa no seu coração, filha.

Lisbon apenas sorriu para mãe, não conseguia admitir para si mesma que estava apaixonada por Patrick Jane, não iria dizer isso em voz alta para os seus pais.

-Espere, é aquele loirinho? Eu gosto dele. – o homem sorriu e ficou sério logo em seguida. – Mas, diga a ele, que se quebrar seu coração, eu volto e puxo o pé dele a noite.

As duas mulheres riram e o abraçaram.

- Não se preocupe, querido! Nossa Teresa está em boas mãos, e sabe muito como se defender.

- Eu os verei novamente? Algum dia?- Lisbon fungou.

- Sim, xereta, mas agora você deve voltar. – Thomas acariciou os cabelos da filha e olhou para sua esposa. – Vamos?

- Vamos!- Tess sorriu e deu um abraço na filha- Querida, não se preocupe com nada, apenas seja feliz.

De mãos dados os pais de Teresa foram caminhando para o campo onde desapareceram e tudo foi tomado por uma luz branca reluzente.

Engasgou no primeiro momento e depois sentiu uma movimentação ao seu lado. Ao abrir os olhos se deparou com uma enfermeira sorrindo pra ela.

- Olá, Teresa! É bom tê-la de volta.

Era bom estar de volta, pensou, seria ainda melhor poder ver o...
- Jane...

-Estou aqui, estou aqui.

E lá estava ele, na entrada da porta com receio de chegar perto, tinha aquele olhar perdido e aflito.

- O senhor pode ficar. Ela está estável! Não irá acontecer nada.

Teresa olhou de um para o outro confusa.

- Ele está muito preocupado, porque você não fala com ele e prova que é real, querida?
A enfermeira de meia idade saiu do quarto sorrindo deixando os dois sozinhos, Jane chegou lentamente perto da cama de Lisbon que sorriu pra ele.

- Jane?

- Teresa? – ele suspirou – Você está realmente aqui?

- Claro, onde mais eu estaria? – uma de suas sobrancelhas subiu e ela continuou – Você não vai se livrar de mim tão cedo, Patrick Jane!

Patrick lhe deu o seu melhor sorriso antes de sentar na cama.

- Ainda bem, porque eu iria até onde você estivesse e te traria de volta.

Lisbon pegou na mão do Jane e o olhou

- Você não vai acreditar se eu te contar onde estava.

Com as mãos quentes de sua Lisbon nas suas, ele sentia que poderia acreditar em tudo.
Depois de três dias Teresa foi levada para o quarto, para que começassem a fisioterapia, nesses mesmos dias o médico deixou claro tanto para Lisbon quanto para o Jane que as complicações na cirurgia foram ocasionadas pela vida corrida e pela não boa nutrição de Teresa. Jane garantiu que ficaria de olho na alimentação dela e que ela iria diminuir a carga horária de trabalho.

- Certo! Você apenas se esquece que a culpa das horas extras são suas, não? – ela o provocou depois que o médico saiu. – Se você se comportasse eu não teria tanta papelada.

- Bem, minha querida Lisbon, a partir de hoje, lhe informo que você não terá mais papeladas. – ele sorriu e fez uma reverência.

- Não te dou uma semana. – ela riu.

- Meh... – sorrindo ele lhe deu um beijo em seu cabelo, algo que já estava se tornando habitual e no momento que acabasse ela iria sentir falta. – Eu te prometo que irei cuidar melhor de você, Teresa.

Lisbon apenas sorriu pra ele e ficou o olhando nos olhos. Perdida mais uma vez em um daqueles momentos incríveis deles, onde o mundo desaparecia e só existe ele e ela. Numa conversa sem palavras apenas sentimentos que não eram preciso verbalizar para que fossem reais.

- Boooom diaaaaa. – um cara ruivo entrou pela porta assustando Jane e Lisbon que deram um pequeno pulo para trás. – Eu sou Matheus, seu fisioterapeuta.

O fisioterapeuta estava tão concentrado trazendo a cadeira de rodas que não viu que tinha interrompido algo.

- E a bela dama aqui deve ser, Teresa Lisbon?

- Bem, sim! – sorriu constrangida.

O ruivo se dirigiu ao Jane.

-Vamos ficar fora por pelo menos uma hora, o senhor pode dar uma volta se quiser. Logo sua esposa estará de volta.

Lisbon fez uma careta para Jane que apenas sorriu e balançou a cabeça.

- Te vejo daqui a uma hora, esposa.

-Até, querido- bem dois poderiam jogar isso, pensou ela, ao sorrir para um Jane imóvel perto da cama.

- Bem, bem – o fisioterapeuta divertido ajudou Lisbon a se sentar na beira da cama – Vai puxar um pouco, mas iremos com calma, certo?

- Ok – ela parou de se mexer e respirou fundo- Espera, o meu marido pode ajudar?
O homem sorriu para ela.

- Claro! Senhor, a bela donzela precisa de ajuda.

Lisbon não era de pedir ajuda, mas essa seria a primeira vez que levantaria da cama, que colocaria os pés no chão após a cirurgia. Ela queria o cheiro do Jane perto dela e o seu olhar terno.

-Meu prazer. – Um Jane todo sorridente foi para o lado oposto do fisioterapeuta. – Vai dar tudo certo, querida.

-Agora, devagar, vamos colocar o pé esquerdo no chão, coloque seu peso nas mãos do seu marido e nas minhas, ok? Depois o pé direito e será mais fácil.

A morena fez o que foi pedido, mesmo se apoiando nos dois homens a dor sentida foi grande.
-Tudo bem, - Jane apertou a mão dela – E estou aqui com você.

Após alguns segundos de dor ela deu alguns passos em direção a cadeira de rodas, logo após sentada Jane lhe beijou os cabelos sussurrando um até logo.

Essa foi sua rotina em 3 semanas de hospital, fisioterapia duas vezes por dia, aumentando e diminuindo os exercícios, o médico informou que levaria alguns meses para que ela ficasse totalmente recuperada, mas lhe daria alta em breve, que  poderia trabalhar em casa pelo menos por mais uma semana, que ao voltar para o CBI não fizesse tanto esforço. Não estava tão preocupa, era como estar de férias, só que com mais remédios e comidas extremamente saudáveis.

-É isso, tenha uma excelente recuperação, senhorita Lisbon- O médico sorriu e lhe entregou os papéis da alta.

-Obrigada.

Jane a ajudou com a pequena mala que Grace tinha trazido nos primeiros dias em que Teresa ficou internada. Foram até a frente  do hospital onde o citroen de Jane estava estacionado.
-Sério?

- Ah, vamos lá, Lisbon!- ele abriu a porta do passageiro, colocando sua mala no banco de trás. – Eu não vou correr. Ainda mais com a garota que estou afim sentada no banco do passageiro.

Lisbon parou alguns instantes assustada e ficou o olhando, Jane parecia alheio ao que tinha dito, apenas foi para o outro lado do carro e abriu a porta do motorista.

- hm, você vem?

-Ér... – engoliu em seco antes de entrar no carro.


Continua...

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