Ok, isso apegou desprevenida! Como e porque Jane tinha violetas em suas mãos?
- Você não gosta de violetas? – Perguntou confuso, ele poderia apostar sua vida que ela iria gostar, foram às primeiras flores que viu na floricultura e não conseguia pensar em outras que combinassem mais com sua Teresa do que violetas. – Elas combinam com você, Lisbon!
- Combinam? – perguntou ainda olhando para o buquê.
-Sim! Você sabe o que elas representam? Violetas representam mistério, por causa de sua cor, respeito, dignidade, devoção, piedade, sinceridade e...
- Elas representam mais que isso, Jane- ela o cortou com lágrimas nos olhos.
- Oh, o que? Algo pessoal, penso eu. – Jane colocou um dedo na boca pensando.
Teresa deu um suspiro e com cuidado pegou as flores das mãos de Jane e começou falar sem olhar pra ele.
- Sim! Quando papai pediu mamãe em casamento, ele lhe deu essas flores. E, a cada natal papai sempre trazia violetas. Sempre que eu perguntava mamãe dizia “Violetas de Natal, querida” e me contava a história, nunca me cansei de ouvi-la até que mamãe morreu e nunca mais tivemos violetas em casa. – Foi nesse momento que Lisbon desabou em lágrimas.
- Droga, desculpe, Teresa- ele chegou mais perto e com todo cuidado para não machucá-la a abraçou contra o peito. – Eu não tinha ideia, desculpe.
- Está tudo bem.- ela se deixou ser abraçada chorando no peito do loiro. – O mais estranho é que eu tive um sonho, mais como uma lembrança do último natal que tivemos, estávamos falando das flores, de repente eu acordo e você tem um buquê e..
- Shiii, está tudo bem, querida. – a abraçou mais forte – Se você não as quiser posso lhe comprar outras, quer copos de leite? Rosas brancas? Todas as rosas?
Lisbon se afastou como podia, a dor repuxando em sua barriga não lhe deixa ir muito longe e depressa. Ela adorava o Jane, era um pé no saco as vezes, o tempo todo, mas era tão doce quando queria, ela não poderia deixar de sorrir pra ele;
- Não se preocupe! Eu adorei as flores. – levando as flores até o rosto para sentir o aroma. - O que mais sabe sobre elas?
- Bem, os romanos as adoravam, tinha uma história de um imperador que colocava essas flores em tudo, desde seus banhos até em um manjar. – Jane de um pequeno sorriso antes de continuar. – E têm os gregos, este é o meu preferido, para os gregos violetas representavam o amor entre Zeus e sua sacerdotisa.
-Hm’, esse vai o meu segundo significado preferido. – Ela sorriu sonolenta e voltou para o mundo dos sonos.
Jane sorrindo retirou as flores da mão de Lisbon e se inclinou para beijar sua testa. Essa era sua grande guerreira, com esses pensamentos ele deixou o quarto para achar algo que pudesse colocar as flores.
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Todos falam da dor pós- operatória, mas ninguém a tinha preparado para isso, bem, ela tinha sofrido várias operações em todos esses anos como agente, ou quando seu pai “acidentalmente” quebrou seu braço, mas ela sempre teve muita sorte em relação à dor após a anestesia sair completamente de seu organismo. Como uma pequena cirurgia pode se tornar um pesadelo tão grande?
As dores eram insuportáveis, todo seu abdome se contorcia em dor, ela queria abrir os olhos, mas a dor não deixava. A cada movimento a dor aumentava... Teresa ouvia vozes perto dela, “Por favor” ela ouviu “Saía”... “Senhor Jane”.. “Pressão arterial caindo”, Lisbon não conseguia distinguir as vozes, os barulhos de aparelhos estavam sobre elas.
- Temos que mantê-la calma - a enfermeira tentava tirar Jane do quarto pela terceira vez. - O senhor deve sair.
-Não- Jane empurrava a enfermeira – Quero ficar aqui! Eu não entendo! O que está acontecendo? Ela estava bem... Por favor..
- Pressão arterial caindo.
Dois enfermeiros vieram e tentavam puxar Jane para longe do quarto, mas por incrível que possa parecer era realmente um trabalho difícil levá-lo longe. Ele se debatia e gritava, não queria ficar longe de Lisbon.
- Estamos a perdendo – uma enfermeira gritou vendo os níveis batimentos cardíacos caindo.
– Tragam o desfibrilador- o medicou gritou.
Tudo aconteceu tão rápido, os batimentos caindo, enfermeira correndo com o aparelho, até que o som de morte se foi ouvido, antes do médico gritar “3, 2, 1 Afasta” e Jane cair no chão murmurando “Não me deixei, Teresa”
- 3,2,1 AFASTA – eram as únicas coisas se ouvidas durante oito segundos.
Até que um sinal de batimento se foi ouvido acompanhado de longos suspiros por todos de dentro do quarto. Foram os oito segundos mais longos da vida de Jane, ele viu a mulher que ama morrer, oito segundos sem o seu olhar terno, oito segundos sem seu sorriso, sem a sua risada. Ela se foi por segundos, Jane se foi com ela e com todas as lembranças dos dois. Oitos segundos perdidos para sempre... Oito segundos sem ele poder dizer a ela o quanto a ama. Foram nesses longos segundos que Patrick decidiu não mais fingir! Sem truques, sem brincadeiras, sem mais fugir. Ele teria a sua vingança, mas a partir daquele momento Teresa foi para o topo de sua lista.
A última coisa que Teresa ouviu foi “Estamos a perdendo” e tudo desapareceu, as vozes, o barulho dos aparelhos. Quando teve coragem de abrir os olhos se viu em um lindo vestido branco, ela estava sentada num balanço decorado por violetas.
-Olá, Reese- uma voz ao seu lado lhe chamou atenção.
Ao virar o rosto viu sua mãe sorridente vestida com o mesmo vestido floral de sua lembrança.
- Mamãe?
- Como você está, querida? – Tessy passou as mãos no cabelo da filha. – E os seus irmãos? Espero que tenham se comportando bem! Veja como você cresceu!
- Eu.. eu- ela começou a soluçar – Sinto tanto a sua falta.
- Eu sei. – ela o abraçou sorrindo. – Eu também sinto falta sua falta. Mas, você não me respondeu.
Afastou-se da filha e enxugou cada lágrima de seu rosto.
- Está tudo bem. – ela fungou antes de continuar- Oh, mamãe! Eu te amo tanto!
- Eu também amo você, Reese. Tem uma pessoa que quer te ver. – Ela olhou para um lindo campo de onde um homem veio em direção as duas.
- Olá, pequenas. – ele não conseguia olhar para Teresa.
- Pai?
Continua...

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