Tudo ficou tão claro antes dela abrir os olhos, teve a sensação de ter sido puxada para um lugar muito iluminado depois de passar dias na escuridão. Abrindo os olhos devagar até se acostumar com a luz se viu sentada no meio de uma escada, olhando em volta imediatamente reconheceu o local. Era sua antiga casa, a de Chicago, na qual viveu com seus pais e seus irmãos. Muito atordoada Teresa resolveu não se mover de onde estava, ficou olhando para tudo, era tão real! Da escada olhando pelos vãos do corrimão se podia ver a sala, um sofá central, duas poltronas, uma pequena mobília com uma TV antiga e um rádio do mesmo estado, e pequenos enfeites que sua mãe adorava. Perto da janela uma árvore de natal era vista, com um lindo presépio ao lado direito e alguns presentes organizados aos pés da árvore. Na mesinha de centro se via um vaso de flores, no qual repousava um lindo arranjo de violetas.
– Violetas de Natal, querida- Teresa ouviu uma voz da qual quase nem mais lembrava. No topo das escadas estava a sua mãe, em um lindo vestido floral.
– Papai, traz todos os anos. Eu não entendo. – Uma menina em seu vestido azul marinho olhava com curiosidade a delicada violeta em suas mãos.
– Bem – ela se agachou para encontrar os olhos da filha - Quando seu pai me pediu em casamento era natal, estávamos sentados em frente a uma grande lareira quando seu pai se levantou e disse “Eu vou pegar mais vinho” – Tessy, mãe de Lisbon, fez a sua melhor voz de homem, fazendo tanto a Teresa menor quanto a Teresa adulta sorrirem. – Eu achei estranho, sabe Reese?! Tínhamos uma garrafa de vinho ainda cheia! E quando ele voltou com um ramalhete de violetas eu simplesmente entendi.
– O que papai disse, mamãe? - A menina sorria como nunca, seus enormes olhos verdes, iguais de sua mãe, estava tão entusiasmados e curiosos.
Sua mãe sorriu docemente, ela sentia tanta falta daquele sorriso, a mulher acariciou o rosto de sua filha e continuou a história.
– Ele disse “Pequena, quero uma vida ao seu lado, eu quero ter aquela discussão boba de quem é a vez de apagar a luz e acabar batendo com pé na pata da cama quando voltar no escuro, quero acordar todos os dias olhando seus lindos olhos verdes, eu quero um mundo cheio de possibilidades e amor com você. Por favor, Tessy, você quer se casar comigo?” E eu aceitei. – ela sorriu.
–Isso é tão bonito, mamãe. Mas, eu ainda não entendo o porquê do papai trazer as flores todo ano.
– Seu pai traz para nos lembrarmos daquele momento, ele diz que é para reforçar todos os votos e promessas que ele me fez naquela noite.
Teresa criança sorriu em entendimento, enquanto a Teresa adulta sorria entre lágrimas, quando a porta da frente se abriu e seu pai, Thomas, entrou. Meu Deus, como era bom ver o rosto sóbrio e feliz de seu pai, sua última memória dele era tão triste e obscura que a fez esquecer o quanto a sua imagem era protetora e cheia de afeto. Isso a fez chorar mais.
– Vamos, pequenas, o carro está pronto para irmos à igreja, só falta chamarmos os meninos! Mãe e filha desceram as escadas correndo, passando perto de onde a Teresa adulta estava sentada, esta esticou o braço para tocar em sua mãe que foi desaparecendo gradativamente, assim como toda a cena de seu último natal com seus pais e irmãos.
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– Como está a Lisbon? – a ruiva perguntou segundos depois que os três agentes chegaram ao hospital- Viemos assim que soubemos.
– Ela está bem!- Jane suspirou cansado, estava sentado a mais de 10 horas naquela cadeira desconfortável da recepção. – Pelo menos foi o que o médico disse minutos atrás.
–Podemos vê-la? – Cho pediu de braços cruzados olhando para Jane.
– Não, ela saiu da sala de cirurgia faz 3 horas, e o médico não me deixou entrar.
– A chefe teve uma crise de apendicite? Não é só uma simples operação? – Rigs perguntou nervoso.
– Era para ser, mas segundo o médico teve algumas complicações, mas que já foram controladas. Estão esperando a Lisbon acordar. – Jane levantou da cadeira e pegou o paletó – Eu vou dar uma volta, me liguem se souberem de qualquer coisa!
Os três agentes concordaram com um aceno e viram quando Jane se afastou em direção a saída. Jane encontrou uma floricultura no mesmo quarteirão do hospital e resolveu entrar. Iria comprar flores para Lisbon, para quando ela acordasse.
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Teresa foi “puxada” novamente para outro lugar, mas esse era diferente do último, tão quieto e frio. Não tinha a voz de sua mãe, ou o seu pai entrando alegremente pela porta. Era um lugar que ela conhecia, mas não conseguia se lembrar, olhou em volta, mas tudo o que se podia ver era escuridão.
Até que minutos depois alguns raios do sol entraram por uma enorme janela, foi quando ela percebeu que estava no sótão da CBI, um cheiro forte atingiu suas narinas a fazendo colocar a mão sobre o nariz, Teresa conhecia aquele cheiro, era sangue, muito sangue. Virando devagar viu algo que fez seu coração parar, a carinha sorridente sangrenta de Red John em uma das paredes do sótão com Jane caído em uma posa de sangue. Teresa se viu desesperada.
–Oh, não! JANE!!- ela gritou e tudo ficou escuro novamente.
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– Lisbon – Jane a chamou desesperado quando ouviu ela o chamar.
Depois de ter comprado as flores, ele voltou imediatamente após Cho lhe mandar uma mensagem avisando que as visitas já eram permitidas, depois dos agentes visitarem Lisbon um a um, Jane ficou lá com ela por mais uma hora até que Lisbon começou se agitar na cama, e chamar seu nome.
– Está tudo bem, Teresa.- Jane acariciou os cabelos da morena- Estou aqui. Lisbon abriu os olhos assustadas sem saber onde estava, até que viu Jane ao seu lado.
–Jane? – com a respiração agitada ela agarrou a mão de Patrick. – Você está realmente aqui?
– Estou. – ele lhe sorriu e apertou sua mão. – Como você está?
– Estou bem.- sussurrou.- Foi tão esquisito eu estava no sótão da CBI e você tinha sido morto pelo Red John.
Teresa começou a chorar compulsivamente, fazendo Jane se sentar na beira da cama e enxugar as lágrimas que caiam livremente pelo rosto delicado.
–Está tudo bem, Lisbon. Por favor, acalme-se, você fez uma segunda operação. Não é nada bom para sua recuperação ficar assim. Escute! – Jane pegou a pequena mão da agente na sua e colocou sobre o seu colete para que ela pudesse sentir seu coração. – Viu? Está batendo fortemente.
Olhos verdes ainda molhados pelas lágrimas capturaram o olhar carinhoso de Jane.
– Está acelerado.
– Está. – Patrick sorriu amplamente. – Você faz isso comigo o tempo todo, seus olhos, sua voz, seu cheiro. A simples menção do seu nome faz meu coração querer saltar fora do peito.
– Jane.. – Lisbon rapidamente tirou a mão do peito do consultor e olhou para longe.
–Ok, péssima hora. – ele suspirou, mas logo voltou a sorrir- Tenho um presente para você.
Teresa olhou-o curiosa, tentando acalmar seu coração, Jane tinha praticamente se declarado a ela e agora tinha um presente. Jane pegou o paletó que estava sobre a cadeira e fez alguns gestos bobos de mágica para fazê-la sorrir, quando um lindo buquê de flores roxas apareceu em suas mãos.
– Tarãa!!! Lindas violetas para a mulher mais linda... – Jane sorriu, mas logo seu sorriso se apagou ao ver que Lisbon estava olhando para as flores sem esboçar nenhuma reação.
Continua...

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