6 de nov. de 2013

Agora ou Nunca!


–''Jane! Jane!'' -Gritava Lisbon incessantemente. Jane, com a voz rouca e desesperada, respondia:
–Se acalme, Lisbon! Vou te tirar daí, eu juro.
Lisbon chorava de angústia e agonia. Estava presa em um velho galpão, com portas de aço, muito resistentes. Para melhorar a situação, a água começou a vazar de dois dos quatro canos que ali se encontravam.


Mas o que diabos Lisbon estava fazendo ali? Ela e Jane estavam em uma missão para prenderem um criminoso e estuprador e, quando finalmente conseguiram o pegar, ele fez com que um de seus comparsas prendesse Lisbon ali e deixasse que a água caísse até alcançar o último fio de cabelo dela.
–Jane! Jane!- Ela não aguentava mais gritar. Tremia, não pela temperatura gélida da água, e sim por medo. Jane, por mais que tentasse não conseguia abrir aquela porta. E Lisbon já sentia a água subindo pelas suas pernas. Ela batia, socava e esmurrava a porta mas nada adiantava. O esforço era em vão.
Jane tentava manter contato com ela e ela respondia cada vez mais fraca, o que fazia seu desespero aumentar. Ele queria raciocinar mas não conseguia. Sua mente era tomada pelos piores pensamentos possíveis. ''Ela irá morrer ali dentro.''
Chorar! Jane começou a chorar. Era a única coisa que lhe restava fazer. Suplicava a morte, naquele momento. Se autodenominava covarde. Um homem covarde, era isso que ele era! Não conseguira salvar a única razão de sua vida. Ia deixá-la morrer enquanto ficava ali sentado, chorando. E Lisbon, do outro lado da porta, com o corpo submerso na água. Já estava exausta de tanto gritar e tentar fugir dali. Ia passando os minutos e ambos choravam se conformavam da realidade.
''Eu prometi que sempre iria salvá-la. Eu jurei que ia tirá-la dali.'' Pensava Jane. Ele precisa fazer alguma coisa. Já tinha tentado tudo que era possível, agora iria tentar o impossível..por ela! Jane tentou uma comunicação com ela novamente.
–Lisbon? -Ela não respondia.–Lisbon? Lisbon? LISBON?
–Que foi? -Uma voz muito baixa, que nem parecia ser a de Lisbon, deu um sinal de que ela ainda estava viva.
–A que nível está a água? -Lisbon não conseguiu responder, ela apenas tossiu. Logo Jane deduziu que a água já havia passado de seu pescoço e estava chegando á boca. -Me espere aqui, Lisbon. Eu voltou logo.
Jane correu a procura de alguma coisa. Qualquer coisa que, por Deus, fizesse abrir aquela droga de porta. Seus olhos observadores logo ''rastrearam'' um extintor de incêndio. Jane o pegou, sem saber exatamente o que fazer com aquilo, e correu de volta para frente da porta. A reação de impulso, foi começar a bater o extintor na porta.
–Lisbon, eu preciso que você se afaste da porta. -Ela não respondeu.
Lisbon estava viva ainda, porém não tinha forças. Com muito custo, ela nadou um pouco para se afastar da porta e se assustou ao ouvir as batidas. Com alguns minutos, a porta começou a se amassar. Mas era resistente demais. Havia mais de uma hora que Jane batia, sucessivamente aquele extintor e nada da porta de abrir. Lisbon estava com o pescoço dolorido, porque tinha que inclinar sua cabeça pra trás para poder respirar. Ela estava pensando em desistir de lutar pela vida.
–J...J...Jane, desista. Não vai dar certo.
–Vai sim! Eu estou quase.
–Vamos encarar a realidade.
–Não diga isso, Lisbon.
–Eu tenho um coisa pra te dizer.
–O que é?
–Jane...
–Diga, Lisbon, diga!
–Eu...
–Você o que?
–Eu amo você, seu filho da mãe. -Ela tossiu.
–Oh, Lisbon. Por favor
–Então, não me deixe- Ela não respondeu.
Jane bateu o extintor com toda força na porta, para descontar o ódio que estava sentindo naquele momento. A força com que ele bateu fez um buraco na porta, onde a água começou a sair com toda a violência. Jane não podia acreditar no que seus olhos viam. Ele batia com mais e mais força até o buraco se aumentou e a porta foi destruída. A água descia e o corpo de Lisbon ia escorregando pelo chão. Ela não estava desacordada. Estava pálida. Jane a abraçou e ela começou a tossir, cuspindo a água que havia engolido.
–Obrigada- Foi o que ela conseguiu dizer.
Jane deu uma risada. Há poucos segundos atrás ele temia perdê-la e agora que ele estava ali, os pensamentos em sua mente era hilários. Realmente Patrick Jane não prestava! Não valia um centavo sequer. Lá estava ele olhando para o corpo dela, encharcado, com a camiseta e as calças bem justas. Ela estava incrivelmente sensual e, cada mínima ação que ela fazia, era suficiente para seduzi-lo. Lisbon percebeu que Jane a repara demais.
– O que foi?- Ela quis saber. Ele olhou pra ela com um olhar irresistível e sorriu.
–Não é nada. Aquela hora...que você disse que...-
–Esquece aquilo! -Completou Llisbon
–Porque? Mudou de ideia?
–Aquilo foi numa situação de desespero. Eu não estava dentro de mim.-
–Mas você não quer nem saber minha resposta, Lisbon?
– Não me interessa....
–Eu não posso viver sem você, Lisbon.
–Essa é sua resposta?
– Não.-Respondeu Jane- Minha resposta é essa...- Então ele se aproximou dela e a puxou, pela cintura, para mais perto de si. PAI DO CÉU, AQUELE HOMEM...! Que homem! Ela nunca havia sentido um beijo como aquele. Era tão quente, que a fez esquecer do frio que estava passando. Jane a apertava fazendo os dois corpos ficarem perfeitamente ''colados'' . Ele tentou se controlar, afinal, Lisbon precisava de um descanso. Mas ela era impaciente e queria mais.
–Não me solte, Patrick Jane. Nunca mais.
–Não vou!

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